quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Gritos da Noite 1

Apresentação
Não temos medo do escuro, temos medo do que está nele.
Temos medo do que um espelho pode refletir além de nossos corpos, medo do que pode ser um arrepio ou uma voz chamando seu nome.
Aquela sombra que não pertence a nenhum dos objetos da casa, o vento que grita como se avisasse que há perigo.
Aqueles seres que nos visitam durante a noite, sim, eles existem.

Destinada ao Inferno
Após um incêndio ter destruído a casa onde vivia com minha família e ser a única sobrevivente, fui transferida para um orfanato de uma cidade quase abandonada. Pelo menos é assim que a vejo.
Mato para todos os lados, poucas pessoas, e quase nunca o sol aparece.
Cidade deprimente já de vista, mas este é meu destino.
-Você é Taylor Morgan?
-Sim senhora
-Aqui está a chave de seu dormitório, o jantar fica pronto em quinze minutos
Subi as escadas de madeira velha e podre, os móveis cheiravam a mofo e as crianças usavam roupas estranhas.
Abri a porta de meu quarto e deparei com paredes brancas cheias de fungos, janela com os vidros quebrados e uma cama de ferro enferrujada que jamais caberia uma pessoa com mais de oitenta quilos.
Um armário de madeira era embutido na parede, a luminária era fraca e havia teias de aranha por todos os cantos.
Uma garotinha entra no quarto trazendo uma vassoura.
-Acho que vai precisar disso, bem vinda
-Obrigada, quem é você?
-Pode me chamar de Julie, moro aqui há dez anos
-Nossa, quantos anos você tem?
-Tenho doze anos e você?
-Sou Taylor e tenho dezesseis anos
-Olá, linda você
-Obrigada
-Por que está aqui?
-Perdi minha família em um incêndio
-Entendo...
-E você?
-Não gosto de falar disso
-Ah, ok, me desculpe
-Tudo bem
-Mas diga-me, por que vocês usam essas roupas esquisitas?
-Uniforme da escola
-Sério? Credo, a saia não pode ser mais curta?
-Não
-Que horror
Então a diretora invade o quarto.
-Muito bem, chega de conversinhas alheias, o jantar está servido
Deixei minhas coisas no quarto e desci as escadas.
-Senhorita Morgan?
-Sim?
-Quero deixar claro que, como é a mais velha da escola deve dar bom exemplo aos alunos
-Pode deixar senhora Miranda
Sentei-me a mesa com os outros alunos.
Todos pareciam deprimidos, olhares amedrontados e aquele uniforme aterrorizante.
As garotas usavam saias de prega preta até os joelhos, meias pretas cobrindo o que restava das pernas, sapatilhas pretas, camisas sociais brancas com coletes fechados de lã preta. A única coisa colorida naquelas pobres crianças era o lenço vermelho amarrado no pescoço.
Os garotos usavam calças sociais pretas, sapatos, camisas sociais brancas, coletes de lã preta e gravatas vermelhas, sem esquecer o suspensório por baixo dos coletes.
Todos comiam uma sopa que mais parecia água pura, mas um garoto estava intacto, olhos vidrados e respiração falhada.
Fiquei olhando para o garoto, ele não piscava, não falava, ninguém ligava.
-HARRY! ACORDE DE SEUS DELÍRIOS E COMA!
Os gritos da senhora Miranda me fizeram saltar.
Então o garoto cujo nome era Harry simplesmente levantou e abriu a boca. Baratas e larvas saíam em abundância da boca do garoto que permanecia intacto.

As garotas começam a gritar desesperadamente e Miranda leva o garoto para o banheiro.

Um comentário:

  1. Noss!Mto bom.Sua escrita e suas histórias são incriveis!!!!!!!!!!!!!

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