terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Gritos da Noite 6

Poderes Paranormais
-Então alunos, vamos fazer as apresentações
-Meu nome é Heron, tenho dezesseis anos e pretendo me formar em medicina
-Meu nome é Kally, tenho dezessete anos e pretendo me formar em gastronomia
-Meu nome é David, tenho dezessete anos e pretendo me formar em advocacia
-Oii, sou a Mariah, tenho dezesseis anos e pretendo ser rica
-Aff, garota, vai fazer o quê pra ser rica? Rodar bolsinha?
Todos riem.
-Onde está a educação?
A professora me encarava.
-Perdão, não pude resistir

-E você quem é? Apresente-se
-Meu nome é Taylor, tenho dezesseis anos e pretendo me formar em música
-Bobagem, ninguém sobrevive da música
Mariah já está em minha lista negra.
-Legal, agora me explique, quem são todas aquelas pessoas que sobem aos palcos, mostram suas músicas e muitas vezes você os admira? Que eu saiba elas sobrevivem da música
-Garotas, hoje é o primeiro dia de aula, não me obriguem a expulsá-las da sala
Então ficamos quietas e os outros alunos se apresentaram.
Mariah é aquele tipo de patricinha mimada dos filmes, porém, nem um pouco loira, mas sim negra.
Acha que é a dona da razão, mas comigo não tem essa.
**
Hora do intervalo.
Encontrei-me com Jason e seus amigos.
-E aí, como foi?
-Uma merda, já achei até uma inimiga
-Uau!
Ele ri.
-Não tem graça
-Desculpa, o que quer comer?
-Sei lá
-Esse prato não tem
-Engraçadinho
Mariah se aproxima da mesa.
-Oii gato, posso sentar-me aqui?
-Não, não pode
-Eu falei com o Jason, queridinha
-E eu falei com você
-Nossa, por que essa grosseria Taylor?
-Essa garota é uma estúpida!
-Pode sentar Mariah
Raivaaa! Não creio!
Mariah começa a se aproximar cada vez mais de Jason e rir pra mim, percebo que Jason está um pouco tenso.
Meu celular cai no chão, então me abaixo para pegar e percebo a mão de Mariah entre as coxas de Jason.
Vadia!
-Preciso sair
Peguei minhas coisas e fui ao banheiro.
Olhei-me no espelho e percebi que algo estava diferente em mim. Eu não sabia o quê, mas tinha algo.
Andei pelos corredores em direção ao meu armário, até que dei de cara com Jason e Mariah. Eles não me viram, estavam se agarrando perto do bebedouro.
Mariah colocava a mão dentro da calça de Jason.
Eu não sei por que, mas meu sangue fervia de raiva.
Tanto que meus nervos travaram, eu não conseguia me mover, então gritei o mais alto que alguém poderia gritar.
Apenas me lembro dos vidros explodindo, dos livros voando e dos alarmes de incêndio sendo ativados automaticamente. Todos tomaram um banho, ninguém sabia o que havia acontecido, eu apenas corri.
Escondi-me no banheiro, abri meu estojo e peguei meu estilete.
Sabia o que estava fazendo? Não sei...
Cortei a palma de minha mão e comecei a escrever no espelho com meu sangue.
“Ele está aqui”.
Corri pelos corredores e sentei-me nas escadas da escola, todos os alunos e professores estavam indo para fora, então permaneci lá.
Jason corre em minha direção.
-TAYLOR! Você está bem? O que houve com sua mão?
-Nada
-Como nada? Estava perto de alguma janela no momento da explosão?
-Não me lembro
Eu lembrava sim, mas não pretendia falar que aquela anomalia havia sido provocada por mim.
-Vamos, te levo para o orfanato
-Vou a pé
-Eu lhe trouxe e vou lhe levar
-Apenas me deixe
Minha roupa estava encharcada, meu cabelo totalmente molhado e o rímel, agora estava em minhas bochechas.
Jason tentou me levar mais uma vez, mas apenas andei.
O que estava acontecendo comigo?


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